Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão teu que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil
20 agosto 2007
todas as palavras esdruxulas, como os sentimentos esdrúxulos sao naturalmente ridículas.
Todas as cartas de amor sãoRidículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que sãoRidículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,Como os sentimentos esdrúxulos,São naturalmente Ridículas.)
Alvaro Campos.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que sãoRidículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,Como os sentimentos esdrúxulos,São naturalmente Ridículas.)
Alvaro Campos.
18 agosto 2007
VERSOS INTIMOS -
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
*Augusto dos anjos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
*Augusto dos anjos
10 agosto 2007
In my solitude you haunt me
With reveries of days gone by
In my solitude you taunt me
With memories that never die
I sit in my chair
Filled with despair
Nobody could be so sad
With gloom ev'rywhere
I sit and I stare
I know that I'll soon go mad
In my solitude
I'm praying
Dear Lord above
Send back my love
*****
With reveries of days gone by
In my solitude you taunt me
With memories that never die
I sit in my chair
Filled with despair
Nobody could be so sad
With gloom ev'rywhere
I sit and I stare
I know that I'll soon go mad
In my solitude
I'm praying
Dear Lord above
Send back my love
| 1934 Eddie Delange, Irving Mills, Duke Ellington | ||
08 agosto 2007
Daniel na cova dos leões
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não vemos
Legião Urbana
Legião Urbana
02 agosto 2007
Querido fulano,
É noite , tarde da noite, penso em ti.
E enquanto a noite cai, escrevo esta carta para enganar a saudade.
Na tua ausência os espaços desta casa multiplicaram-se enquanto aqui estou, em miniatura,
Sinto que sou um corpo estranho encolhendo na sala de um gigante.
Entre paredes azuis, está difícil não sentir blue.
Farejo pela casa,
desejo, gozo, riso, loucura
Maos tateiam, o corpo ensaia
erros e acertos
Agonizante o tempo passa.
Não estás aqui. Qual é o teu endereço?
Queria invadir a tua casa, sabotar o teu sono
esquecer dos limites, viver a insensatez
na contramão da noite, nós dois outra vez.
************
É noite , tarde da noite, penso em ti.
E enquanto a noite cai, escrevo esta carta para enganar a saudade.
Na tua ausência os espaços desta casa multiplicaram-se enquanto aqui estou, em miniatura,
Sinto que sou um corpo estranho encolhendo na sala de um gigante.
Entre paredes azuis, está difícil não sentir blue.
Farejo pela casa,
desejo, gozo, riso, loucura
Maos tateiam, o corpo ensaia
erros e acertos
Agonizante o tempo passa.
Não estás aqui. Qual é o teu endereço?
Queria invadir a tua casa, sabotar o teu sono
esquecer dos limites, viver a insensatez
na contramão da noite, nós dois outra vez.
************
01 agosto 2007
O circo ou a tragédia humana
As mascaras caem , palhaços correm envergonhados para esconder seus rostos enquanto a maquiagem derrete revelando outras faces, novos rostos. Àquele é um cinico, o outro é velho, a moça de roupa colorida ainda é virgem. Jà a senhora cheia de dobras tem mais motivos para esconder as dobras e as rugas do que jura a nossa vã gargalhada.
Vergonha
com os rostos expostos esses tristes personagens não passam de figuras patéticas, ensaiando a sua própria mentira,
Platéia
o cenário é pitoresco, obsceno, mulheres gordas, velhos encardidos, moças enfeitadas...O menino rir infaltimente enquanto a mulher cacareja. Já o senhor chato não gosta de barulho e faz sinal para que calem-se. Enquanto esses tristes personagens ensaiam a vida, expectadores e platéia confundem-se em face da mais bizara das histórias.
O homem nasceu e puseram um futuro nas suas costas enquanto ele não sabia o que era existir. Quis voltar para o útero da sua mãe mas já era tarde, disseram para ele que para viver bastava ser. Ele era, mas não sabia o que.
As mascaras caem , palhaços correm envergonhados para esconder seus rostos enquanto a maquiagem derrete revelando outras faces, novos rostos. Àquele é um cinico, o outro é velho, a moça de roupa colorida ainda é virgem. Jà a senhora cheia de dobras tem mais motivos para esconder as dobras e as rugas do que jura a nossa vã gargalhada.
Vergonha
com os rostos expostos esses tristes personagens não passam de figuras patéticas, ensaiando a sua própria mentira,
Platéia
o cenário é pitoresco, obsceno, mulheres gordas, velhos encardidos, moças enfeitadas...O menino rir infaltimente enquanto a mulher cacareja. Já o senhor chato não gosta de barulho e faz sinal para que calem-se. Enquanto esses tristes personagens ensaiam a vida, expectadores e platéia confundem-se em face da mais bizara das histórias.
O homem nasceu e puseram um futuro nas suas costas enquanto ele não sabia o que era existir. Quis voltar para o útero da sua mãe mas já era tarde, disseram para ele que para viver bastava ser. Ele era, mas não sabia o que.
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