Cara, não há como não registrar esse acontecimento...
Podem até me chamar de besta mas acabo de encontrar alguem que me deixou besta.
Algumas vezes pegando ônibus me deparei com uma criança que tem no máximo dez anos e toca trianculo acompanhado de sua falta de palavras...
Digo, ele emitia sons, ruídos, ele era mudo e somente runhia ( escreve-se assim?), ele fazia sons acompanhado desse intrumento musical, o triangulo. E depois passava de passageiro em passageiro na busca de alguns centavos que só ele saberia para quê, ou.porque.
Acabo de encontrar essa criança acompanha de mais duas e o tringulo...
É demais dizer que eles estao brincando numa lanhouse? jogando games, fedorentos e mal vestidos. O do triangulo continua fazendo ruidos, mas de excitacao.
O que será isso? meu deus que mundo louco...
Até onde chegou a nossa miséria?
O quanto será que estamos salvos?
Essas crianças de pés sujos escrevem uma história paralela que só deus saberá como terminar...
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O BICHO, Manuel Bandeira.
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem
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27 junho 2007
25 junho 2007
CENAS
o feriado de são jõao foi supimpa de bom, daquelas cachaças que dói na cabeça mas que lava a alma. Festinha em casa com poucos e bons amigos, muitos explosivos e nada de forró.
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É muito bom chegar em casa depois de muita farra e encontrar centavos na bolsa, cigarro quebrado, você sai juntando tudo como um quebra cabeça , sapatos no meio da sala, coisas jogadas...
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É muito bom chegar em casa depois de muita farra e encontrar centavos na bolsa, cigarro quebrado, você sai juntando tudo como um quebra cabeça , sapatos no meio da sala, coisas jogadas...
Sim, a felicidade é um par de botas...
Há entre os suicidas um excelente costume, que é não deixar a vida sem dizer o motivo e as circunstâncias que os armam contra ela. Os que se vão calados, raramente é por orgulho; na maior parte dos casos ou não têm tempo, ou não sabem escrever. Costume excelente: em primeiro lugar, é um ato de cortesia, não sendo este mundo um baile, de onde um homem possa esgueirar-se antes do cotilhão; em segundo lugar, a imprensa recolhe e divulga os bilhetes póstumos, e o morto vive ainda um dia ou dois, às vezes uma semana mais.
...
Não conto os bilhetes brancos, os negócios abortados, as relações interrompidas; menos ainda outros acintes ínfimos da fortuna. Cansado e aborrecido, entendi que não podia achar a felicidade em parte nenhuma; fui além: acreditei que ela não existia na terra, e preparei-me desde ontem para o grande mergulho na eternidade. Hoje, almocei, fumei um charuto, e debrucei-me à janela. No fim de dez minutos, vi passar um homem bem trajado, fitando a miúdo os pés. Conhecia-o de vista; era uma vítima de grandes reveses, mas ia risonho, e contemplava os pés, digo mal, os sapatos. Estes eram novos, de verniz, muito bem talhados, e provavelmente cosidos a primor. Ele levantava os olhos para as janelas, para as pessoas, mas tornava-os aos sapatos, como por uma lei de atração, interior e superior à vontade. Ia alegre; via-se-lhe no rosto a expressão da bem-aventurança. Evidentemente era feliz; e, talvez, não tivesse almoçado; talvez mesmo não levasse um vintém no bolso. Mas ia feliz, e contemplava as botas.
A felicidade será um par de botas? Esse homem, tão esbofeteado pela vida, achou finalmente um riso da fortuna. Nada vale nada. Nenhuma preocupação deste século, nenhum problema social ou moral, nem as alegrias da geração que começa, nem as tristezas da que termina, miséria ou guerra de classes; crises da arte e da política, nada vale, para ele, um par de botas. Ele fita-as, ele respira-as, ele reluz com elas, ele calca com elas o chão de um globo que lhe pertence. Daí o orgulho das atitudes, a rigidez dos passos, e um certo ar de tranqüilidade olímpica... Sim, a felicidade é um par de botas.
Não é outra a explicação do meu testamento. Os superficiais dirão que estou doido, que o delírio do suicida define a cláusula do testador; mas eu falo para os sapientes e para os malfadados. Nem colhe a objeção de que era melhor gastar comigo as botas, que lego aos outros; não, porque seria único. Distribuindo-as, faço um certo número de venturosos. Eia, caiporas! que a minha última vontade seja cumprida. Boa noite, e calçai-vos!
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Copie este texto do segunte site:
http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/arq127.htm
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Não conto os bilhetes brancos, os negócios abortados, as relações interrompidas; menos ainda outros acintes ínfimos da fortuna. Cansado e aborrecido, entendi que não podia achar a felicidade em parte nenhuma; fui além: acreditei que ela não existia na terra, e preparei-me desde ontem para o grande mergulho na eternidade. Hoje, almocei, fumei um charuto, e debrucei-me à janela. No fim de dez minutos, vi passar um homem bem trajado, fitando a miúdo os pés. Conhecia-o de vista; era uma vítima de grandes reveses, mas ia risonho, e contemplava os pés, digo mal, os sapatos. Estes eram novos, de verniz, muito bem talhados, e provavelmente cosidos a primor. Ele levantava os olhos para as janelas, para as pessoas, mas tornava-os aos sapatos, como por uma lei de atração, interior e superior à vontade. Ia alegre; via-se-lhe no rosto a expressão da bem-aventurança. Evidentemente era feliz; e, talvez, não tivesse almoçado; talvez mesmo não levasse um vintém no bolso. Mas ia feliz, e contemplava as botas.
A felicidade será um par de botas? Esse homem, tão esbofeteado pela vida, achou finalmente um riso da fortuna. Nada vale nada. Nenhuma preocupação deste século, nenhum problema social ou moral, nem as alegrias da geração que começa, nem as tristezas da que termina, miséria ou guerra de classes; crises da arte e da política, nada vale, para ele, um par de botas. Ele fita-as, ele respira-as, ele reluz com elas, ele calca com elas o chão de um globo que lhe pertence. Daí o orgulho das atitudes, a rigidez dos passos, e um certo ar de tranqüilidade olímpica... Sim, a felicidade é um par de botas.
Não é outra a explicação do meu testamento. Os superficiais dirão que estou doido, que o delírio do suicida define a cláusula do testador; mas eu falo para os sapientes e para os malfadados. Nem colhe a objeção de que era melhor gastar comigo as botas, que lego aos outros; não, porque seria único. Distribuindo-as, faço um certo número de venturosos. Eia, caiporas! que a minha última vontade seja cumprida. Boa noite, e calçai-vos!
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Copie este texto do segunte site:
http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/arq127.htm
20 junho 2007
daqui...
Daqui, do lado de dentro, o que se houve falar:
Andam dizendo que ela é forte, andam dizendo que ela vai chorar.
Aqui, do lado que entro é hora de saltar.
******
Faz tempo que estava esperando por mudanças, finalmente sinto o rebuliço, as bases tremem.
Se estamos prontos ou não, quem há de saber?
Nao sei o que pensar, nao sei o quanto posso contar comigo, do que sou e do que serei capaz.
Não quero desesperar nem transbordar.
Bem, de coisas assim tão fortes não dá para falar.
Esperar, para crer e ver.
******
Será que vou conseguir sem você?
*****
Andam dizendo que ela é forte, andam dizendo que ela vai chorar.
Aqui, do lado que entro é hora de saltar.
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Faz tempo que estava esperando por mudanças, finalmente sinto o rebuliço, as bases tremem.
Se estamos prontos ou não, quem há de saber?
Nao sei o que pensar, nao sei o quanto posso contar comigo, do que sou e do que serei capaz.
Não quero desesperar nem transbordar.
Bem, de coisas assim tão fortes não dá para falar.
Esperar, para crer e ver.
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Será que vou conseguir sem você?
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16 junho 2007
a vida é liquida
"É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco: pedra mórula ferida. É crua e dura a vida. Como um naco de víbora. Como-a no livor da língua Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me No estreito-pouco Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida Tua unha plúmbea, meu casaco rosso. E perambulamos de coturno pela rua Rubras, góticas, altas de corpo e copos. A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima Olho d¿água, bebida. A vida é líquida..."
Trechos de Alcoólicas, de Hilda Hilst
Trechos de Alcoólicas, de Hilda Hilst
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