25 maio 2007

o dia em que cheguei cedo...




Fiquei a espreita, quieta e sorrateira.A noite acabava, aos poucos começava um novo dia. Roubei a manhã da madrugada enquanto aos poucos um sol laranja aparecia rasgando a paisagem.

Devorei o novo dia com meus olhos de insônia.
Hoje foi o dia que cheguei primeiro para comprar peixe e ver que o moço da esquina não estava lá. Que a padaria ainda estava fechada, que havia muitos pombos e gatos ratardatarios brigando na rua.

Em resumo:
Os risos teriam sido mais bobos se tudo fosse risivel.
Andar ao sol queima e dar sede.
..

Considerações:
fui ao shopping e ainda esperei meia hora para que ele abrisse.
perdi a senha.
na hora do almoço nem tudo estava pronto.

Será que a vida cabe em um crônometro?


24 maio 2007

Sonhei que estava dormindo e tinha acabado de acordar. Eu estava pronta para fazer algo mas não conseguia sair do lugar, eu estava me sentindo como se tivesse drogada. Entao me perguntava:

-Porque não estou entendendo nada? nao posso me mexer...
No meio da minha agonia abri os olhos, eu ainda estava deitada.
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16 maio 2007

Belo belo...

Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
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Manuel Bandeira

11 maio 2007

filmes de guera, cançoes de amor.

não perca a razão, ela já não é sua
onda após onda, o barco ainda flutua
ao sabor do acaso
apesar dos pesares
ao sabor do acaso… flutua
.
então, preste atenção: o mar não ensina, insinua
estamos no mesmo barco, sob a mesma lua
no mar, em marte, em qualquer parte
estaremos sempre sob a mesma lua
ao sabor da corrente
tão fortes quanto o elo mais fraco
ao sabor da corrente… sob a mesma lua

inércia da pedra

Sexta de uma sexta silenciosa e atrasada. Sexta de nada. Como ocultar o meu tédio?Todas as noites mergulho e rapidamente sinto falta de ar, perco o sono.

a pergunta anterior era... O que fazer com tudo o que tenho? com essa bagagem? uma mala tão cheia de ?E se aquela foi a hora de apostar, se hoje posso dizer que ganhei, o que fazer com o que tenho??? meu deus, eu nao sei .
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Perdão se pelos meus olhos não chegou
mais claridade que a espuma marinha,
perdão porque meu espaço
se estende sem amparo
e não termina:
- monótono é meu canto,
minha palavra é um pássaro sombrio,
fauna de pedra e mar, o desconsolo
de um planeta invernal, incorruptível.
Perdão por essa sucessão de água,
da rocha, a espuma, o delírio da maré
- assim é a solidão -
saltos bruscos de sal contra os muros
de meu ser secreto, de tal maneira
que eu sou uma parte do inverno,
da mesma extensão que se repete
de sino em sino em tantas ondas
e de um silêncio como cabeleira,
silêncio de alga, canto submergido.

(Neruda)

10 maio 2007

Se tua dor te aflige, faz dela um poema.


"Tinha suspirado
Tinha beijado o papel indevotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo do estímulo por si mesma
E parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."

Eça de Queiroz.
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05 maio 2007

aqui dentro, do lado de fora

O Buraco do Espelho
Arnaldo Antunes

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve


já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

por uma viagem funcional.

sexta de uma madrugada de quinta, sábado de uma tarde de sexta, sabado de uma noite de ontem... está tudo chovendo e eu já não sei que horas são, sei que é hoje e ponto. É tanta confusão que dá vontade de viajar no tempo, quem sabe..

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dias de saudades , sinto falta de sombras, luzes e algumas variações.
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Lembrei-me da notícias sobre os dinossauros descobertos na austrália... Há dinossauros que o tempo não engole, que a boca do tempo não devora e persistem com seus tamanho e mistérios.
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O essencial é invisível aos olhos.

que o resto é pouco e apagado...


Modinha
Cecilia Meireles

Tuas palavras antigas
Deixei-as todas, deixeia-as,
Junto com as minhas cantigas,
Desenhadas nas areias.

Tantos sóis e tantas luas
Brilharam sobre essas linhas,
Das cantigas — que eram tuas —
Das palavras — que eram minhas!

O mar, de língua sonora,
Sabe o presente e o passado.
Canta o que é meu, vai-se embora:
Que o resto é pouco e apagado
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