26 janeiro 2007


Como se te perdesse,
assim te quero.

Como se não te visse
(favas douradas Sob um amarelo)
assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas

Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

(II)

* * *

Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.

(Via Vazia - VIII)

(Hilda Hilst - Amavisse)

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